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Plantio de algodão em Iguatu dá sinais de retorno aos bons tempos

Plantio de algodão em Iguatu dá sinais de retorno aos bons tempos

Na localidade de Santa Clara, zona rural de Iguatu, o branco dos capuchos de algodão divide o cenário de nove hectares do verde das folhas do algodoeiro, trazendo de volta lembranças de um período áureo – a cotonicultura que gerava emprego e renda no campo do interior cearense. Neste ano, foram cultivados 22 hectares, por cinco produtores, mas para 2022 já existe adesão para se cultivar entre 150 e 200 hectares, segundo dados da secretaria de Desenvolvimento Rural do município.

A viabilidade de cultivo e o preço favorável no mercado despertam o interesse do pequeno produtor em voltar a plantar algodão de variedades tradicional e transgênica, que apresentam mais resistência às pragas e ciclo curto de produção. O preço da arroba passou de R$ 30,00 para R$ 45,00.

“Temos um mercado favorável e a estratégia é fazer o plantio cedo, entre 10 de janeiro e 10 de fevereiro, para que a época da colheita ocorra na chamada janela favorável da entressafra de regiões produtoras no Mato Grosso e na Bahia. Quando a venda é feita em junho, o preço é mais favorável”. 
VENÂNCIO VIEIRA
Secretário de Agricultura de Iguatu

 

A cultura do algodão não produz adequadamente quando há chuvas em excesso e o solo fica encharcado. Neste ano, em Iguatu, choveu em média 1200mm, segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). “Tivemos chuvas fortes que provocaram frustração de safra em média de 25% nos campos de algodão”, pontuou Vieira.

Apesar do registro de perda de produção por excesso de chuva, Venâncio Vieira observa que o lucro chega a 60%. “É um bom resultado”, frisou.

“Por isso, muitos querem voltar a cultivar o chamado ‘ouro branco’, que já foi a nossa riqueza até o início da década de 1980”.

Raimundo Procópio é um dos cinco produtores que aposta no projeto ‘A volta do ouro branco’. Ele cultivou três hectares de algodão transgênico. “Estou muito satisfeito e no próximo ano vou triplicar a minha área”, anunciou. “O preço está muito favorável”.

algodão no centro-sul
Legenda: A viabilidade de cultivo e o preço favorável no mercado despertam o interesse do pequeno produtor em voltar a plantar algodão
Foto: Foto: Honório Barbosa

O produtor Procópio optou por fazer a colheita manual, que gera mais despesa, mas mesmo assim, mostra-se contente com o resultado obtido. “Tivemos perda por excesso de chuva, mas é o risco de qualquer cultura de sequeiro”.

De acordo com levantamento da Secretaria de Agricultura de Iguatu, neste ano, a produção média de algodão chegou a 3000 quilos por hectare.

“Acredito na retomada cultura porque o preço é favorável e os produtores já sabem que podem conviver com a principal praga que ataca a lavoura, o bicudo, mas para isso é preciso adotar manejo adequado, uso de bioinseticida e seguir as orientações técnicas”.  

Nas localidades de Retiro e Belo Monte, zona rural de Iguatu, houve o plantio de algodão em duas áreas experimentais, de um hectare cada. O espaço foi visitado por agricultores com o objetivo de conhecer o resultado do cultivo – despesas realizadas e receita prevista.

“O nosso objetivo é divulgar os resultados e incentivar outros agricultores a voltarem plantar algodão”, pontuou Venâncio Vieira. “Na visita, é feita a demonstração das técnicas empregadas, de todas as despesas, receitas e dos dias trabalhado”.

Em uma área de um hectare é possível uma renda de R$ 3.000,00 e uma produtividade de três mil quilos de pluma. O agricultor, José Matias, que cedeu o espaço disse que ficou animado com o resultado e já pensa em plantar novamente. “Eu me lembrei do passado, quando a gente plantava algodão e quero voltar no próximo inverno”, anunciou.  

PROJETO

O projeto que visa a retomada do plantio de algodão no Ceará começou em 2018 na região do Cariri com apenas 30 hectares cultivados e alcançou cerca de 1500 hectares no ano passado. A ação tem parceria da Universidade Federal do Cariri (UFCA), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Algodão/Campina Grande, Ematerce, Prefeituras e secretaria de Desenvolvimento Agrário do Ceará. 

Depois da região do Cariri, o projeto se espalhou para o Centro-Sul cearense e o Sertão Central

Neste ano, entretanto, houve um revés no cultivo do algodão no Cariri. A área plantada caiu de 1500 para apenas 300 hectares na atual safra. O assessor técnico da secretaria de Desenvolvimento Agrário de Brejo Santo, Edgar de Souza, destacou que custos elevados contribuíram para provocar a desistência dos agricultores:  “Faltou incentivo, o custo de mão-de-obra é elevado, cerca de 40% da renda obtida na lavoura, e ataque da praga do bicudo na metade das áreas cultivadas no ano passado”.

O programa de incentivo à retomada da cultura do algodão está voltado para a agricultura de base familiar. “É um grupo que necessita de mais apoio, assistência técnica e capital para tocar os experimentos”, pontuou Edgar Souza.

Do DN

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